SEMPRE MÚSICA . . .

sábado, 8 de dezembro de 2007

[] Dalva de Oliveira / A Rainha da Voz

Villa-Lobos vivia dizendo pra quem quisesse ouvir, que ela era a melhor cantora nacional.

Esta filha de portuguesa com um mulato percorreu um caminho tortuoso e cheio de pequenos grandes dramas até se transformar na grande Estrela Dalva. Estamos em São Paulo, na cidade de Rio Claro.

Ficou órfã de pai aos 10 anos de idade e sua mãe a coloca num orfanato para que ela estude, de onde sai somente aos 15 anos.

Exerceu várias atividades para sobreviver; trabalhou como costureira, faxineira e quando saiu do orfanato foi trabalhar como auxiliar de escritório.

Estudar, só nas horas vagas. E é neste tempo aí que Vicentina de Paula Oliveira resolve fazer um curso de canto com uma tal de madame Zenaide.

E foi por acaso que um empresário, dono de um pequeno circo ouve Dalva cantar durante uma aula e resolve contrata-la; mas, como ela ainda era menor de idade, ele contrata também a mãe, para não ter problemas com o juizado de menores...a função da mãe seria fazer piruetas no circo.

Excursionam por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Voltam para Minas e ficam em Belo Horizonte.
Lá, a mãe de Dalva adoece e é hospitalizada. Quando melhora, quer voltar para São Paulo, com saudade dos outros filhos, que haviam ficado sob a guarda de algum parente.

O dono do circo é forçado a dispensar Dalva, pois não quer ter problemas com a menoridade dela. Começa a cantar numa rádio mineira, mas por pouco tempo. Ela tem ambições maiores.
Decidida e ser cantora, vai para o Rio de Janeiro em busca de seu sonho.
Estamos no final da década de 1930...

Chegando ao Rio, vai trabalhar numa fábrica de chinelos, quando alguém ouve ela cantando durante o expediente.

Pede licença ao chefe para ouvi-la melhor e saber quem era a dona daquela voz. Dalva então recebe um convite para se apresentar e cantar na Rádio Philips.

Depois é contratada pela Rádio Mayrink Veiga e ingressa na "Companhia Teatral de Vicente Celestino".
Começa a fazer parte da dupla “Preto e Branco”, que com sua chegada, muda de nome e vira o famoso “Trio de Ouro”, que era formado por Nilo Chagas e Herivelto Martins e agora, mais ela, Dalva.
Um de seus maiores sucessos, “Ave Maria no Morro” ela gravou pela primeira vez em 1942, e Herivelto, o compositor, fica conhecido nacionalmente.

O romance entre Herivelto e Dalva era quase que inevitável. Casam-se e ficam juntos até 1949. Desfeito o trio no início dos anos 50, Dalva começa sua carreira “solo”, digamos assim. E em grande estilo...

Em 1951, é eleita a Rainha do Rádio, desbancando a grande Marlene; e ganha de prêmio um carro “Golliath”(*); começa a fazer uma carreira internacional.

Casa-se em Paris com um ator e humorista argentino, e grava em Londres, em 1952, um de seus maiores sucessos: “Kalú" de Humberto Teixeira.

Gravou mais de 400 músicas, e transformou em sucessos eternos uma grande quantidade delas, como “Segredo”, de 1947; “Tudo acabado”, de 1950; “Errei sim”, do mesmo ano; “Que será”, também de 1950; “A Bahia te espera” em 1963; “Bom dia” de 1967...

Sua última gravação de sucesso = de grande sucesso = foi a marcha-rancho “Bandeira Branca”, em 1969.
Como se sabe, Dalva tinha um estilo dramático de cantar. Não escondia a dor, a tristeza nem o desespero. Ela abria o coração para que o público pudesse ver o quanto o abandono lhe fazia mal, o quanto doía uma traição...

Seu coração e sua alma viviam em permanente estado de exposição, ela se mostrava por inteiro nas canções. Seria nossa Edith Piaf? nossa Billie Holiday ou alguma personagem de Fellini ?
E tudo isto, com uma pronúncia só dela, clara, teatral, de consoantes bem pronunciadas e quase ásperas.

Dalva influenciou a carreira de muitos cantores, senão na maneira de cantar, de sofrer e de se expor, como no amor pela interpretação, no amor pelo público, pelo músico. No amor pelo ofício de cantar.
Foi Dalva quem gravou primeiro “Babalú”, adaptação nacional de um sucesso cubano, bem antes de Ângela Maria...

Nos últimos anos de sua vida, Dalva estava um pouco afastada de suas atividades artísticas, e alguns jornais e revistas pouco simpáticos, exploravam à exaustão seus excessos com a bebida e seus inúmeros romances com homens bem mais jovens do que ela.

Desde um grave acidente de carro em 1965 que ela vinha sofrendo graves hemorragias internas.
Tudo isto e mais um câncer de baço, encerraram para sempre o show de nossa Estrela Dalva, em 31 de agosto de 1972, aos 55 anos.

(*) marca alemã de automóveis, do grupo "Brogward" ativa de 1928 a 1959.



4 comentários:

Adriana disse...

Fiquei muito feliz com este post.Quem não conhece BANDEIRA BRANCA?/

otavio disse...

O que será da minha vida sem ... O que seria de nós sem Dalva de Oliveira.

Anônimo disse...

pena que essa juventude de hoje nem sabe o que é musica...vc ainda canta entre nós dalva

Anônimo disse...

hoje tenho 51 anos mas jamais deixei o saudosismo de lado..que saudade de dalva e tempos bons que não voltam mais...essa juventude de hoje bah!