SEMPRE MÚSICA . . .

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

[] Françoise Hardy, Melancolia "Chic" [1944]


A primeira impressão que eu tive quando vi uma fotografia e ouvi um disco dela, foi a de que ela parecia ser uma pessoa ótima para se conversar, para se trocar confidências e ouvir muitas músicas...

Fora o fato de seu visual ser absolutamente despojado. Suas capas de discos sempre mostravam Françoise com um “cashmere”, uma boa capa de gabardine,
praticamente de cara lavada, sem maquiagem e sem bijouterias, ou outros adereços desnecessários .

De cara, se via que era uma artista européia, já pela atmosfera das fotos, pelas roupas e pela mensagem visual que as capas dos discos passavam.

François
e-Madeleine Hardy, cresceu com sua irmã Charlotte em um pequeno apartamento de Paris. Filha de uma mãe solteira bastante autoritária; seu pai, como era casado com outra mulher, vinha poucas vezes para ver Françoise, que após terminar o secundário, ingressa na Sorbonne para estudar Ciências Políticas e Letras.

Mas, depois de dois anos de universidade, Françoise resolve se dedicar à música, sua grande paixão.
E ganha de seu pai uma guitarra e é bastante estimulada por ele para que aprendesse a tocar.

Françoise cresceu uma adolescente complexada e sentimental, talvez devido à estrutura familiar, e sempre escrevia “coisas” em cadernos e diários. Seus escritos sempre tratavam de temas melancólicos, de
questionamentos, de solidão e todas as sensações que afligem os relacionamentos das pessoas.

Até que um anúncio no FRANCE-SOIR chamou sua atenção...Uma grande gravadora estava procurando jovens compositores e novos cantores.
Françoise se entusiasma e consegue marcar uma entrevista com o pessoal que estava selecionando os candidatos.

A grava
dora era a VOGUE, que já tinha em seu elenco um “top” cantor jovem, Johnny Hallyday, e estava procurando uma versão feminina para seu “cast”.

O pessoal que selecionava ficou muito bem impressionado com a audição de Françoise, com seu estilo de compor e cantar e principalmente, com sua personalidade, seu ar de ligeiro desencanto, o que servia muito como uma identificação com os jovens da época....

Oferecem a ela um curso de solfejo num conservatório, onde ela freqüenta por dois anos, para aperfeiçoar a voz. Um mês após esta audição, a VOGUE assina um contrato com Françoise e providencia uma apresentação em público para sua novíssima contratada. Ela tinha apenas 18 anos...

É desta época “Touts les Garçons et les Filles”, que virou um sucesso imediato e grande, inclusive fora da França, tendo sido gravado em italiano por Catherine Spaak, com o nome de “Quelli della mia età”.

Imediatamente Françoise grava suas composições em italiano e inglês, e seu sucesso vai parar no Japão e Espanha.

A Alemanha se rende ao charme e ao talento desta sensação francesa, e agenda com ela uma turnê pelo pais inteiro.
Seu rosto enigmático e melancólico fascina os fotógrafos e diretores de cinema, como Roger Vadin, que a escalou para seu filme “Château en Suède”, baseado numa
obra literária de Françoise Sagan.

Continua gravando outros 45 rpm, fazendo novos show e novas turnês, até que tem sua esperada e bem sucedida estréia do templo musical da França: OLYMPIA, que é um verdadeiro pré-
requisito para o sucesso e para a consagração.

E tudo isto, com apenas um ano de carreira. Era realmente um fenômeno de aceitação. Era uma espécie de namoradinha de todos os franceses, com seu jeito de moça de família, comum, que parecia ser uma vizinha nossa, uma prima, uma colega de faculdade...


Nesta época, tem um romance com Jean-Marie Perriér, fotógrafo da revista “Salut les Copains”, o que a leva a ser convidada para desfilar e fotografar para nomes como André Courrèges, Saint-Laurent e Paco Rabanne.

Mais discos, mais turnês, mais OLYMPIA e mais sucesso, até que em 1967, cria seu próprio selo de gravação e vai se apresentar no Canadá, no Oriente Médio e América do Sul.

Quando volta para a França, se desencanta com a situação cultural e política do país , já
que era o ano de 1968, ano bastante tumultuado em Paris, e de namorado novo, o também cantor e ator Jacques Dutronc, Françoise vai com ele para a Córsega viver por lá e repensar a vida e a carreira...

Mas em 1969, Serge Gainsbourg compôs para ela cantar “Comment te Dire Adieu”, que fez um bocado de sucesso, inclusive aqui no Brasil, onde algumas
FM’s que têm programas de “flashback”, sempre incluem esta música na lista das “tops”...

Nesta época, Françoise estava com a vida artística mais devagar, dedicando a maior parte do tempo a seus cursos de Psicologia e Astrologia.

Em 1973, nasce seu único filho,
Thomas Dutronc, filho de Jacques e ela resolve dedicar sua atenção total à criação e educação dele. Depois, vai voltando às atividades de compositora e intérprete, mas de maneira mais tranqüila, sem aquela agenda repleta de compromissos de anos anteriores.

Até que em 2004 após um longo período de afastamento de palcos e estúd
ios, Françoise volta à ativa e para coroar mais de 40 anos de profissão, recebe em 2006 no “Instituto da França”, a “Grande Médaille de La Chanson Française”, que lhe foi oferecida pela “Académie Française”.

Ao mesmo tempo, estava sendo lançado seu mais recente cd, PARENTHÈSES, um disco de duetos com convidados, como por exemplo, a cantora Maurane, Julio Iglesias e o ator [e às vezes cantor] Alain Delon...

Um mês depois, este cd recebe o prêmio de DISQUE D’OR...

Françoise Hardy merece.
@ Você quer ver e ouvir Françoise? Clique aqui !


3 comentários:

Otávio disse...

Existe coisa mais francesa que Françoise Hardy? Acho que só a torre.

Adriana disse...

Concordo com Otávio.

odilon disse...

Mais francesa que a Françoise Hardy? Só ela mesma cantado Tant de belles choses. O final do post está estupendo. Vejam e escutem o vídeo.