SEMPRE MÚSICA . . .

terça-feira, 5 de agosto de 2008

[] Emilinha, "A Favorita da Marinha" [1923=2005]

Foi cantando uma música de Noel Rosa, “O X do Problema”, num programa de calouros de Ary Barroso, que Emília Savana da Silva Borba conseguiu a nota máxima, sendo imediatamente contratada pela Rádio Mayrink Veiga. Ela tinha apenas 14 anos.

Nascida em 31/08/1923 à rua Visconde de Niterói, no Bairro da Estação Primeira de Mangueira, tinha seis irmãos, entre eles, seu irmão gêmeo José.

Em 1939, foi apresentada e recomendada por Carmem Miranda, de quem sua mãe Edith era camareira, ao empresário Joaquim Rolas, que era proprietário do Cassino da Urca, e finalmente foi contratada como “crooner”.

Como Emilinha era menor de idade, Carmem emprestou para ela um vestido mais “adulto e um par de sapatos de plataforma, para facilitar alterar a certidão de nascimento e assim, poder trabalhar no Cassino.

Neste mesmo ano de ’39, grava a marcha “Pirulito”, de autoria de João de Barro, em dupla com Nilton Paz. No selo do disco ainda era “Emília Borba”. O diminutivo viria depois...

Esta marchinha faz com que eu lembre de meu pai cantarolando pela casa “Pirulito que bate, bate, pirulito que já bateu...quem gosta de mim é ela e quem gosta dela sou eu...”.

Em 1942, Emilinha mudou de emissora; sai da Mayrink Veiga e vai para Rádio Nacional, onde permanece por 27 anos, abrangendo assim a chamada época de ouro dos programas de rádio no Brasil, com toda a magia destas décadas, e onde se formava e se solidificava nossa história musical, virando assim uma fonte de referência para as gerações que viriam depois.

É bom lembrar que este período foi muito fértil para nosso acervo musical, tanto no que se refere a vocalistas, como às nossas grandes orquestras, nossos arranjadores, instrumentistas de primeiríssima qualidade e competência.

Além disso, o rádio como ferramenta de comunicação tinha uma força enorme, atingindo o país inteiro, informando as pessoas, entretendo com novelas, programas de humor, programas de auditório, consultas sentimentais e conselhos de saúde e bem estar.

Durante sua permanência na Rádio Nacional, Emilinha Borba foi campeã absoluta de correspondência recebida por artistas, durante 19 anos consecutivos, período em que esta estatística era feita.

Possivelmente, esta popularidade absurda, estivesse associada ao “Programa César de Alencar”, que era um clássico do rádio, e era transmitido para todo o país aos sábados à tarde.

Aqui no Brasil, a época do rádio foi responsável pela criação de um certo e eficaz marketing, como por exemplo a conhecida rivalidade entre Emilinha Borba e sua colega Marlene. Durante anos a fio, o público radiofônico, tanto o que ia aos auditórios como o que ficava em casa, dividia-se entre 2 fãs clubes: “Emilinha” e “Marlene”, com uma acirrada rivalidade, tapas, bofetões, roupas rasgadas, vaias, papéis picados e todas as manifestações pró seu ídolo.

É claro que com este comportamento, a emissora saia ganhando e os artistas também, pois havia uma disputa nas lojas de disco, para ver qual o artista que vendia mais os famosos 78 RPM...

Emilinha lançou músicas que até hoje estão na memória de pelo menos 3 gerações...em ’46 ela gravou “Madureira” [Madureira chorou, Madureira chorou de dor...].

Ano seguinte, 1947, gravou a famosa rumba “Escandalosa”, e um clássico de nossa música romântica até hoje: “Se Queres Saber”, muito nosso conhecido através de primorosas interpretações como as de Tito Madi e Nana Caymmi [Se queres saber se eu te amo ainda, procure entender a minha mágoa infinda...]

Em ’49 gravou um “hino” de nosso carnaval, a composição de João de Barro “Chiquita Bacana”... quem não sabe cantar um pedacinho? [Chiquita Bacana, lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica...]

Emilinha foi pioneira em várias coisas relativas à sua carreira, mas vale destacar que em 1955, quando estava em excursão pelo sul do país, mais precisamente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, cantou por telefone diretamente dos estúdios da Rádio Gaúcha, enquanto o acompanhamento era feito pela orquestra do maestro Ercoli Vareto, que estava na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro...

Toda esta manobra, era para não perder a participação no programa “César de Alencar”, que estava promovendo o concurso “Parada dos Maiorais = Pastilhas Valda”. A música que ela defendia, era um bolero chamado “Em Nome de Deus”.

Em 1957, outro enorme sucesso nacional gravado por ela, foi sem dúvida “Com Jeito Vai” [Vai, com jeito vai, senão um dia a casa cai, menina... se alguém te convidar pra tomar banho em Paquetá, pra pic-nic na Barra da Tijuca, ou pra fazer um programa no Joá....menina vai, com jeito vai]

Esta música marcou tanto este final dos anos ’50 que acabou gerando o filme de mesmo nome, produzido pela Herbert Richers e dirigido por J.B.Tanko... Existe coisa mais anos ’50 que isso ?

Participou de quase 40 filmes, o que era também um veículo para lançamento de cantores, compositores, sobretudo para lançar músicas de carnaval, naquelas cenas tão conhecidas por nós, quando num local noturno de nome “Oásis” ou coisa parecida, durante um jantar elegante, um artista surge no palco entre confetes e serpentinas, cantando uma marchinha ou um samba...era uma estratégia ingênua, mas sempre dava resultados.

Outra coisa que Emilinha foi a primeira a fazer aqui no Brasil, foi em 1958 quando gravou o mambo “Catito”, sucesso mundial na voz de Nat King Cole... ela colocou a voz depois sobre a base musical, gravada previamente, pois até então era de praxe artista e acompanhamento gravarem ao mesmo tempo, na mesma seção de estúdio...

Também é creditado a ela o fato de ser o primeiro artista nacional a fazer uma turnê pelo Brasil inteiro, tendo apenas um único patrocinador. Tamanha era sua credibilidade e retorno garantido de investimento...

Durante a década de 60, participou de inúmeros programas fixos de televisão, semanalmente exibidos, apresentados por ela e por outro apresentador de sucesso; e isto acontecia no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Segundo críticos e jornalistas desta época, um dos maiores trunfos de Emilinha, era a sua simpatia e a facilidade de interpretação, pois sua voz apesar de clara, era considerada “pequena”, sem grandes arroubos e como tinha uma figura magnética no palco, acabava conquistando todo mundo.

Foi capa da “Revista do Rádio” por mais de 50 vezes, e se comunicava com seus fãs através de colunas como “Diário da Emilinha”, “Álbum da Emilinha”, “Emilinha Responde” e “Coluna da Emilinha”.

Os leitores encontravam estas colunas na “Revista do Rádio”, “Radiolândia” e no jornal “A Noite”.

Fez shows pelos Estados Unidos, Israel e Reino Unido e em 1965 é escolhida como a Rainha do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, ano que gravou outro sucesso cantado até hoje: “Mulata Iê-Iê-Iê” [mulata bossa nova, caiu no hully gully, e só dá ela...]

Em 1968, afastou-se de suas atividades por causa de graves problemas em suas cordas vocais, e mesmo depois de 3 cirurgias e longos meses de reeducação vocal, não conseguiu voltar à velha forma.

Em 1991 recebe o título de Cidadã Benemérita do Rio de Janeiro e dois anos depois, é homenageada como “Cidadã Paulistana”.

Em 2003, depois de passar 22 anos sem gravar, lança um disco chamado “Emilinha Pinta e Borda”, onde tem colegas famosos como convidados.

De sua vida pessoal, sabe-se que no dia de seu aniversário em 1957, casou-se formalmente com Artur Sousa Costa, que era um corredor de automóveis, e filho do Ministro da Fazenda durante o governo de Getúlio Vargas.

Com ele teve seu único filho, Arthur Emílio.

Comemorou 50 anos de carreira em ‘90 com um desfile em carro aberto pela Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro.

Em 2005, sofreu uma queda em casa e teve traumatismo craniano e hemorragia intra-cerebral. Ficou hospitalizada alguns dias na CTI, e aos poucos foi se recuperando, mas com a saúde sempre muito frágil.

Até que em outubro do mesmo ano, sentiu-se mal durante um almoço em sua casa em Copacabana e teve um infarto, aos 82 anos. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Mas, para [pelo menos...] uma de nossa Forças Armadas , ela desde 1949 é, e será eternamente, “A Favorita da Marinha”.

E para o público radiofônico, Emilinha Borba detém o título de “A Eterna Rainha do Rádio”.

[@] Conheça/relembre Emilinha clicando aqui []!!





3 comentários:

BANDEIRAS disse...

Emilinha.... nota 10 para esta mulher maravilhosa.Será sempre um ícone de nosa MPB.
Parabéns pelo lindo trabalho, neste blog, ficamos sabendo mais sobre nossos artistas.
Grande abraço

Otávio disse...

Fantástico! Eu era muito novo na época de ouro dela. Me lembro das disputas de minhas irmãs mais velhas. Parabéns, esta mulher realmente merece esta homenagem.

Adriana disse...

Muito boa!Adorei sei as músicas por causa da minha mãe! Aliás tudo que é passado pode dizer que aprendi com ela!