SEMPRE MÚSICA . . .

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

[] Tanti Auguri, Gino ! !

Qualquer pessoa com mais 40 anos e que tenha uma ligação com a música, por menor que seja, vai lembrar, cantarolar ou assobiar “Sapore di Sale”, certamente.

No início dos anos ’60, esta música era executada obrigatoriamente em todas as emissoras de rádio do Brasil, sem falar na Itália, país de origem do compositor e intérprete Gino Paoli.

Naqueles tempos, a música italiana era muito popular aqui entre nós, fazia parte de qualquer discoteca das emissoras de rádio ou da casa das pessoas.

Nesta mesma época, Sergio Endrigo, nostálgico como sempre emocionava o mundo com “Io Che Amo Solo Te”... quem não lembra? Tanto é assim, que a RCA Victor lançou uma série com diversos títulos e intermináveis volumes como “Gli Anni Moderni”, “Fortíss
imo”, “Più Fortíssimo”, “Gioventù” e assim por diante...

Era uma maravilha, pois num único LP, por exemplo, podiam cantar em nossa casa a qualquer momento, Rita Pavone, Nico Fidenco, Edoardo Vianello, Michelle, Catherine Spaak, Wilma Goich, recém casada com Edoardo Vianello e mais uma infinidade de intérpretes que fascinavam os amantes da música italiana... sem falar em Domenico Modugno, que em 1958 e 1959 havia explodido mundiamente com “”Nel Blù, Dipinto di Blù” (volare...ôô...cantare, ôôôô....nel blu...) e “Ciao, Ciao Banbina”, também conhecida simplesmente como “Piove”...

Pois bem, Gino Paoli, acaba de lançar um disco comemorando seus 50 anos de uma carreira sempre regular, embora não espalhafatosa nem cheias de ups and downs como a de
muitos artistas, tempo em que, discretamente e com muita qualidade, foi escrevendo seu nome definitivamente na história da música italiana.

Gino é o responsável por clássicos como “Senza Fine”, lançado por Ornella Vanoni e aqui no Brasil gravado por Caetano Veloso e também por Zizi Possi.

É de Paoli também outro super-clássico-indispensável da Itália, “Il Cielo In Una Stanza”, lançada pela grande Mina no início dos anos ’60 e até hoje cantada e tocada mundo a fora com os mais diferentes arranjos.

O disco, intitulado “Storie”, é uma celebração do talento de Paoli como letrista, músico e extraordinário pianista que é, e obviamente traz seus grandes e eternos sucessos, após um show de lançamento no “Auditorium Parco Della Musica di Roma”.

Tanti Auguri, Gino ...


Sapore di sale, sapore di mare... Che hai sulla pelle, Che hai sulle labra quando esci dall’acqua e ti vieni a sdraiare...viccino a me, viccino a me...


sábado, 31 de janeiro de 2009

[] Steve Tyrell "Back To Bacharach", The music of Burt Bucharach and Hal David

Como se dizia antigamente, Steve Tyrell “está de disco novo na praça”.
Após vários e excelentes discos lançados em anos anteriores, desta vez Steve gravou somente Burt Bacharach.

Eu já havia postado matérias sobre Steve e outros artistas definitivamente ligados a Bacharach, como Dionne Warwick, além de um post sobre o maestro.

É difícil fazer uma seleção justa e abrangente da obra de Bacharach e reduzir tudo a um simples cd. Ficará sempre a impressão de que faltaram músicas indispensáveis.

Mas aí, cria-se um outro probleminha de ordem prática. Se o cd for duplo, fica mais caro (às vezes mais do que deveria) e as vendas são sempre menores.

Tanto isto é verdade, que vários artistas que costumavam lançar apenas um cd duplo, já optaram anos atrás por fazerem seu lançamento anual discretamente num cd simples...tanto na Europa, como nos Estados Unidos. O luxo do cd duplo ficou reservado a acontecimentos muito especiais, ou então a compilações de músicas já antigas, que não cobram o preço exorbitante da novidadice...

Neste seu mais recente disco, Steve fez uma seleção bem espremida do absolutamente indispensável.

01= walk on by
02= the look of love
03= this guy’s in love
04= one less bell to answer
05= what the world needs now
06= reach out for me
07= i say a little prayer
08= i just don’t know what to do with myself
09= always something there to remind me
10= don’t make me over
11= close to you
12= a house is not a home
13= alfie
14= raindrops keep falling on my head

Steve ainda tem convidados muito especiais, como Martina McBride, Rod Stewart, James Taylor, Dionne Warwick, Herb Alpert e Patti Austin.

@ + sobre Steve Tyrell, clique aqui []!

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

[] Bocelli : Existe uma magia que une música clássica à música popular

Achei interessante uma entrevista que Andrea Bocelli deu ao jornalista Mario Luzzatto Fegiz, do “Corriere Della Sera”, agora em janeiro de 2009; por esta razão fiz a tradução e reproduzo a seguir.

@ quando e como você se deu conta de que tinha talento e vocação para o canto?
@ quando as pessoas pedem com frequência para você cantar... a mim, pediam desde muito pequeno para cantar na igreja, nas festas da escola e aniversários...

@ como se escolhe um repertório como o seu?
@ seguindo o exemplo dos grandes tenores que vieram antes de mim. Todos eles mesclaram diversos tipos de repertório, desde ópera, música de câmara e a música fundamentalmente popular. Como por exemplo, Beniamino Gigli; o cantor de ópera se torna popular, no momento em que empresta sua voz a uma música consagrada pelo gosto popular.

@ o que você acha da relação da música clássica com a música popular?
@ existe música clássica tão bonita, que se torna popular, e tem música popular tão bela e envolvente, que acaba se tornando uma música clássica... quando a música é bela, é bela e basta.

@ é verdade que “La Bohème” é sua ópera favorita?
@ é uma das óperas mais perfeitas, onde não é preciso acrescentar nem tirar nenhum acorde; além disso, tem um componente muito espirituoso até o seu final dramático. Resumindo, tem uma mistura de elementos que a tornam absolutamente extraordinária.

@ como é concebido um disco de Bocelli?
@ por mais que seja difícil, procuro sempre encontrar um fio condutor; por exemplo, no último disco “Incanto”, a idéia foi reunir num disco vários sucessos que se tornaram populares graças aos tenores que os interpretaram...

@ apesar do seu indiscutível sucesso na música popular, você tem se dedicado com muito afinco à música operística.
@ sim, comecei agora a prepar “Fausto” para apresenta-la em Palermo no mês de março; depois, “Cavalleria Rusticana”, e logo após, tem “Carmen”... tenho muito trabalho pela frente.

@ é verdade que para você uma grande fonte de emoção e inspiração são as cartas de fãs?
@ hoje a internet é um meio extraordinário, uma ferramenta que pouco a pouco aprendi a usar, e os fãs são quem dão vontade e coragem de subir num avião e cantar em outra parte do mundo.

@ e o futuro?
@ trabalho e estudo; enquanto a vida nos presentear com descobertas e desafios, estaremos nos enriquecendo e permaneceremos jovens. Minha experiência pessoal de perder a visão me ensinou que não é terrível aquilo que parece terrível, mas com freqüência se revela terrível justamente o que não parecia terrível...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

[] Cristóbal Repetto, O Novo Velho Tango ...

Nome ainda meio desconhecido, com apenas 29 anos este argentino é dono de um estilo único de interpretação. Com voz de cantor antigo de tango, que às vezes parece sair de um gramofone, Cristóbal emite uma atmosfera dramática do chamado “novo tango”, coisa que felizmente essa rapaziada criativa sabe fazer tão bem.

Modernizar o tango, mas sem mexer na alma portenha, mantendo intacto todo o encantamento e melancolia deste gênero musical tem sido o objetivo de um número grande de jovens músicos argentinos, apaixonados sempre por suas origens e raízes culturais.

Cristóbal tem tudo isso, além de ter um passado recente de cantor folclórico e, como se sabe, o folclore é um dos componentes inegáveis do tango, tenha a idade que tiver, usando o bandoneon e uma “típica” clássica ou utilizando-se de todas as técnicas de ponta que se tem ao alcance nos dias de hoje.

Nascido em Maipú, Cristóbal foi descoberto por Daniel Melingo, um dos mais conhecidos e competentes inovadores do tango, e foi com Daniel que Cristóbal fez uma série de concertos em vários palcos de Buenos Aires e Montevidéu.

Em 2004 lançou seu primeiro disco solo, e admite que sua intenção é mostrar no seu trabalho uma fusão da música campesina, do interior, com a música da cidade. Segundo ele, esses dois universos podem conviver em perfeita harmonia.

Além disso, Cristóbal recupera velhas canções, de domínio público, mas que estão quase totalmente esquecidas pelo grande público, principalmente as composições dos anos ’20, anos ’30 e ’40, e traz de volta aos grandes palcos das capitais, as milongas, uma das expressões fundamentais desta música, com toda sua magia, cores melancólicas e sentimentos arrebatadores, como convém ao bom e velho tango.

E ao novo também.
[@] ouça e veja Cristóbal, clicando aqui [!]

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

[] A Música Está Em Crise ?

Não é de hoje. Já era sabido e há muito tempo, que o tal mercado musical ou fonográfico, atravessa uma crise muito especial, uma mudança de comportamento, de gostos e de hábitos, com novas necessidades, novos conceitos e tudo o mais que vem numa esteira como esta.

Pelo sétimo ano consecutivo as vendas de discos nos Estados Unidos registraram perdas de 14%. Se tomarmos como parâmetro o ano de 2000, que é considerado o ano de maior pico comercial de venda de cd’s, hoje em dia (ano de 2008) compra-se somente a metade, o que é muito significativo.

Mesmo assim, o mercado musical continua a crescer, graças principalmente ao sucesso do “download” e também graças às outras formas emergentes de comércio online.

Durante o ano de 2008 foram comercializadas 1 bilhão e 510 milhões de “unidades digitais” entre cd’s, faixas digitais avulsas, videoclipes e dvd’s; numa proporção de 10% a mais do que em 2007. Tudo isto devido à crescente popularidade em se adquirir faixas musicais avulsas através da “iTunes”, “Amazon mp3” e um sem número de empresas do gênero na web...

E na maior tranquilidade, sem sair de casa ou do trabalho, ouvindo a música antes, e se gostou basta clicar e comprar somente o que quiser...

Este sistema de venda de faixas unitárias, ou “singles”, decretou o declínio do cd “inteiro”, pois sabemos na prática que dificilmente todas as faixas de um disco são do nosso agrado.

Se o compact disc atrai cada vez menos compradores, o mesmo não se pode dizer de uma tecnologia “vintage”, como o disco de vinil. Para se ter uma idéia, é bom saber que no ano passado foram vendidas quase 2 milhões de unidades de “Lp’s” de vinil.

Isto mesmo. E nem é uma cifra tão desprezível assim, principalmente para uma mídia considerada morta e enterrada...

Os discos de vinil mais vendidos foram [e continuam sendo] “Radiohead”, com cerca de 650 mil unidades, e logo depois “Metallica” e “Beatles” devidamente remasterizados e relançados em grande estilo em vinil, para o deleite e delírio dos saudosistas, dos nostálgicos e dos que gostam de “novidades”.

Esta é uma demonstração clara de que os caminhos para o renascimento da indústria musical são muitos, bastando estar abertos e atentos aos sinais emitidos pelo mercado.

Os cd’s continuam sendo ainda a maior preocupação das multinacionais do disco, pois com o crescimento e fácil acesso do “download”, nascem novos negócios paralelos e se multiplicam as fontes de comércio musical e de faturamento.

Mesmo assim, estes ganhos ainda não são suficientes para compensar o rombo do comércio tradicional de cd’s, pelo menos nos próximos 5 anos.

Esperemos e vejamos no que vai dar toda esta modernidade e comodidade digital.

[@] Fonte : "Nilsen SoundScan" em relatário publicado em 31/12/2008 e "Corriere Della Sera" de 04/01/2009.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

[] Seja Feliz !

Se você apareceu por aqui durante 2008 leu algum post e fez um comentário, esta mensagem é para você... muito obrigado pela visita e desejo um novo ano bem melhor do que este que acaba logo mais à noite.

E se você visitou este blog por pesquisa ou por puro acaso, leu alguma coisa e não deixou nenhum comentário, não faz mal... a mensagem é para você também.

Desejo para mim, para você & para todo mundo um excelente 2009.

Nós merecemos !

sábado, 27 de dezembro de 2008

[] Goodbye, Eartha !

Lembro-me bem da primeira vez que vi uma capa de disco de Eartha Kitt... é como se fosse hoje.

Só que faz muito tempo, muito mesmo, eu era criança e estava mexendo nos LP’s do meu pai... quando um disco em especial me chamou a atenção pelo colorido da capa.

Era um desenho, bem colorido de crayon e tinta nanquim, na realidade um “portrait” de Eartha Kitt e o título do disco era “The Fabulous Eartha Kit”.

Fiquei fascinado pelo desenho, pelas cores, pela expressão do desenho; e fui ler na contra-capa quem era Eartha Kitt, ver o que cantava e como era sua voz .

Foi assim
, e de lá para cá vi muitas outras capas de discos, ouvi muitas outras músicas com ela , afinal foram mais de 60 anos de carreira.

Mas Eartha Kitt morreu, neste 25 de dezembro, em um hospital de Nova York, vencida por um câncer de cólon que havia sido diagnosticado e imediatamente tratado pouco mais de dois anos atrás, mas ressurgiu com força total nestes últimos meses.

E mesmo com 81 anos, sua agenda de shows e gravações estava repleta até o final de 2009...

Para mim, a lembrança do nome “Eartha Kitt” não se resume somente à memória musical, mas sim e talvez principalmente, a um dos meus primeiros contatos com a magia do desenho.

R.I.P, Eartha.






[@] Leia + sobre Eartha Kitt clicando aqui ! []


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

[] Super Motown

Para comemorar os 79 anos de Barry Gordy, fundador da Motown Records, foi lançada no final de novembro, uma compilação chamada simplesmente “Motown 50”, já que o cinqüentenário da gravadora, nascida numa garagem de Detroit, será no dia 12 de janeiro de 2009.

Além de clássicos como “I want your back”, dos Jackson 5 e “Reach out I’ll be there” dos Four Tops, nesta coletânea se encontram alguns dos clássicos eternos da Motown.

Neste cd triplo, para alegria de nostálgicos e saudosistas, tem praticamente de tudo... desde Jackson 5, com um Michael Jackson ainda reconhecível, a Marvin Gaye, inegável pai artístico do movimento soul.

Também não poderiam faltar Smokey Robinson, Temptations, Diana Ross & The Supremes [uma das caras da Motown...tanto é que escolhi a foto dela para ilustrar este post...], Martha Reeves, Thelma Houston e Stevie Wonder...

Não é por acaso, portanto, que a proposta deste projeto seja justamente reunir o que de melhor foi produzido por Gordy e seus artistas nestes 50 anos, o que além disso, nos mostra claramente como se deu a passagem do blues para o rhythm’n blues.

Um número absurdo de títulos da Motown chegaram aos primeiros lugares das paradas mundiais... em qualquer relação de “tops”, poderia se encontrar várias músicas saídas da Motown, que tornava-se a cada dia que passava, uma fabricante competentíssima de sucessos.

O impacto era tamanho, que a própria indústria fonográfica se perguntava o que era que a Motown tinha, que as outras não tinham... em que ela era diferente do mercado concorrente?

Por que os compositores e intérpretes da Motown conseguiam criar um som próprio, uma atmosfera especial, facilmente reconhecível nos primeiros segundos de uma canção, e o que era exatamente esse “Midas Touch” de Gordy ?

Ninguém soube até hoje explicar clara e objetivamente
a razão deste sucesso todo, mas o que se sabe é que nos discos da Motown, por anos a fio, se respirou um rhythm’n blues cantado com o coração de homens e mulheres de um talento extremo...

Barry Gordy, um jovem afro-americano que com muita determinação e contando apenas com o suporte financeiro da família, forjou novas bases para o orgulho das minorias afro-americanas daqueles anos.

Além disso, e principalmente, tinha o raro talento de bater o olho e reconhecer de longe, quem tinha aquela chama abstrata, que só os verdadeiros artistas têm.


Fonte “La Stampa / Luca Dondoni” e “Universal Music / Motown 50 Yesterday Today Forever”.