SEMPRE MÚSICA . . .

sábado, 12 de julho de 2008

[] Astrud Gilberto Existe Sim !! [1940]

É curioso como alguns personagens às vezes nos parecem pura invenção, pura lenda urbana, pois são envolvidos por uma capa de mistério reticente, existe uma economia de dados, fatos e fotos, que quase sempre me parece intencional, como se fosse uma manobra para a construção de um mito.

Astrud Evangelina Weinert é um bom exemplo disso. Faz um tempão que ouvimos falar nela. “Astrud isso”, “Astrud aquilo”... ou ainda, “parece muito com a Astrud, tem a voz da Astrud”...

Mas afinal, quem é essa Astrud Gilberto ? sempre tão citada como parâmetro quando se fala em voz pequena e afinada, principalmente relacionada à Bossa Nova, a ao mesmo tempo, mantida a uma distância tão inexplicavelmente fria, que as gerações mais novas chegam a achar que ela faz parte de nosso folclore musical, assim como o Saci Pererê, o Boitatá e o Jeca Tatú povoam a imaginação sertaneja.

Pois é, ela nasceu na Bahia, em 29 de março de 1940, filha de pai alemão e mãe brasileiríssima, mas foi para o Rio de Janeiro quando tinha apenas 5 anos de idade e viveu de maneira bem carioca, e já na adolescência tinha um grupinho de amigos que viria a ficar conhecido, alguns nacionalmente e outros pelo mundo a fora...

Astrud poderia ser considerada uma “garota de Ipanema” muito antes daquela loira curvilínea passear pela calçada e virar a cabeça de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e se tornar a musa da música tão famosa...

Astrud era amiguinha de Carlos Lyra, Oscar Castro Neves, Roberto Menescal, Luis Bonfá, Benê Nunes e João Donato. Além disso, trocava confidências com sua melhor amiga, Nara Leão, que lhe apresentou o baiano João Gilberto, novato, querendo se enturmar com o grupo, que tinha como componente mais velho, o "playboy" Ronaldo Bôscoli.

Esta moçada já se reunia para cantar, tocar violão, fazer pequenas estripulias e serenatas, quando Tom Jobim e Vinícius de Moraes chegaram no pedaço.

Poucos meses após serem apresentados, e antes de completar 20 anos, Astrud se casou com João Gilberto em 1959, e logicamente participou do nascimento e crescimento do movimento musical que pouco tempo depois se espalharia pelo mundo inteiro.

Em 1963 João Gilberto viajou com Astrud para os Estados Unidos para participar como violonista do disco do saxofonista Stan Getz, e Astrud foi junto como o marido como uma mulherzinha acompanhando o marido que vai cumprir um compromisso agendado.

É claro que, sendo casada com João Gilberto, ela cantarolava pela casa em animadas reuniões de amigos e intermináveis almoços, que emendavam com o jantar e varavam noite a dentro, até já tinha cantado com ele num show na Faculdade de Arquitetura do Rio de Janeiro, mas nunca nada profissionalmente.

Pois bem, quando estavam ensaiando lá nos Estados Unidos, João Gilberto pediu para ela cantar a segunda estrofe de “Garota de Ipanema” em inglês. Stan Getz gostou do que ouviu e aceitou que ela cantasse no disco que gravariam em seguida.

Após as gravações, foram para a sala de mixagem ouvir o resultado; então, Stan Getz muito sério e compenetrado olhou para Astrud e disse que aquela gravação a tornaria famosa...

Mais algumas apresentações em clubes por lá e em 1964 o casamento termina, João Gilberto volta para o Brasil e Astrud fica por lá, já que o disco foi o campeão de vendas no gênero daquele ano, além de ter levado “The Girl form Ipanema” para o # 5 lugar nas paradas americanas.

Pronto. Astrud fica conhecida nacionalmente e a imprensa começa a prestar atenção naquela moça bem bonitinha, de cabelos pretos escorridos, cara tímida, um ar de nativa de algum local ensolarado e ainda por cima, cantava uma música gostosa, com um ritmo novo... uma mistura de “caipirinha” com “daiquiri”, uma timidez cativante misturada com uma sensualidade latina. Sal, sol , água de côco & mar...

A “Verve Records” logo tratou de produzir um disco para ela que teve o nome de “The Astrud Gilberto Álbum”, ainda em 1964. Não foi um estouro de vendas, mas serviu muito bem para marcar a presença física de Astrud, que além de Bossa Nova, cantava e gravava standards do songbook americano, o que é sempre garantido...

Em seguida foram produzidos mais dois discos com ela. A mesma “Verve” recrutou o consagrado arranjador americano Gil Evans para dirigir o disco chamado “Look to The Rainbow”, e para o outro disco, convocou o pianista, organista e também arranjador brasileiro Walter Wanderlei, que foi marido da cantora Isaurinha Garcia, e assim nascia “A Certain Smile, a Certain Sadness”.

Astrud fica conhecida razoavelmente no Brasil até final dos anos ’60 e ’70, mas depois disso, ficou totalmente absorvida pelo “american way of life”, cantando sempre, gravando sempre com nomes consagrados, instrumentistas de primeira linha, mantendo sempre um sucesso discreto até 1984, quando acontece na Europa – principalmente na Inglaterra - uma espécie de “renascimento” da Bossa Nova, e assim, seus discos são relançados enquanto ela vai se tornando uma cantora “cult”.

Seu repertório inclui clássicos americanos como “The Shadow of Your Smile”, “Love Story”, “Day by Day”, “Fly Me To The Moon”, “Here’s That Rainy Day” e “Look to The Rainbow”.


As músicas brasileiras são aquelas certeiras, que cairam no agrado do mundo, principalmente do público americano e japonês, como "So Nice", [que é nada mais nada menos que Samba de Verão], Berimbau, Água de Beber, Dindi, Corcovado, Desafinado, Samba de Uma Nota Só, e claro, Garota de Ipanema, com os mais variados arranjos, até uma versão meio "dance". E mais, uma versão deliciosa da velha marchinha "Mamãe Eu Quero", que faz um "medley" com "Chica-Chica-Boom", essa mesma, que foi consagrada por Carmem Miranda.

Além disso, Astrud gravou em português, inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e japonês... e sabemos que no mundo do disco, quando o artista tem um talento genuíno, isso funciona que é uma maravilha.

No final dos anos ’60, ela gravou uma série de anúncios de TV para a “Eastern Airlines”, e por conta disso, tornou-se a “voz” oficial da companhia aérea.

Durante um tempão Astrud não conseguia se apresentar em “nightclubs” ou boates pois a proximidade com a platéia a deixava aterrorizada, e para superar esta fobia, matriculou-se no conceituado curso “Stella Addler Studio of Acting”, para aprender representação, postura, e domínio de palco.

Superados os problemas voltou com tudo, e superlotou casas noturnas como “Fat Tuesday” e “SOB’S” de Nova York, e o “The Jazz Café” de Londres.

Em 1982, seu filho Marcelo Gilberto, passou a fazer parte do grupo que a acompanha, tocando baixo, e excursionou com ela por mais de 10 anos.

Além de músico de mamãe-Astrud, Marcelo foi o co-produtor dos álbuns “Live in New York” de 1996, e “Temperance”, de 1997. O outro filho de Astrud, Gregory Lasorsa, também músico, participou das gravações de “Temperance” tocando guitarras.

Apesar de não estar afastada oficialmente da vida de cantora, Astrud anunciou em 2002 que “ia dar um tempo”, sem previsão de retorno.

E nesta fase, ela está com mais tempo para se dedicar a outras duas paixões, que é seu lado de artista plástica, de pintora figurativa de óleo sobre tela, e cuidar de campanhas em defesa dos animais, atividades que já vinha desenvolvento há muito tempo.

Teve o prazerzão de ser acompanhada pelo trompete e voz de Chet Baker na música “Far Away”, pouco antes da morte dele e dividiu “Desafinado” com George Michael.

Astrud Gilberto existe sim, não é lenda não.

E ao que tudo indica, vive americanissimamente muito bem. Thank you !


[@] veja e ouça Astrud em 1964, clicando aqui [] !

[@] veja e ouça Astrud em 1988, clicando aqui [] !


quarta-feira, 9 de julho de 2008

[] Rufus Wainwright, Prima Donna [1973]

Quando tinha 14 anos, ao sair de um “pub” acompanhado de um homem para irem assistir a um show que estava acontecendo no Hyde Park em Londres, Rufus foi roubado e estuprado, e segundo ele, só conseguiu sobreviver, pois simulou um ataque de eplepsia, o que deixou seu agressor assustado, fugindo em disparada.

Desde adolescente que se assumiu como homossexual, e contou numa entrevista dada à revista Rolling Stones, na edição de 11 de novembro de 1999, que seus pais sempre souberam, porém nunca falaram a respeito, por não saberem como lidar com o asunto...

Rufus Mc Garrigle Wainwright nasceu em Nova York em 22 de julho de 1973, mas passou grande parte de sua infância e adolescência com sua mãe em Montreal, no Canadá, desde que seus pais se divorciaram.

Filho de um cantor e músico “folk”, Loundon Wainwright III, cultuado até hoje, e Kate Mc Garrigle, tem ainda uma irmã, Martha, cantora e instrumentista.

Desde os seis anos de idade Rufus toca piano e aos 13, já excursionava com sua irmã, mãe e tia materna Ana, com o nome de “Mc Garrigle Sisters & Family”. Freqüentou a Mc Gill University onde estudou piano clássico e popular.

Também compositor, algumas de suas canções foram escritas em francês, já que viveu a maior parte de sua vida num país de duplo idioma... além disso, Rufus ainda mantém sua casa no Canadá.

Desde a adolescência, se interessa por ópera, e todas as formas de teatralidade que os palcos possam sugerir. Este gosto precoce pelo drama, pela interpretação e exagero se reflete em todos os seus trabalhos, tanto em disco quanto em suas apresentações.

Desde sempre apaixonou-se pela dramaticidade de artistas como Al Jolson, Edith Piaf e claro, Judy Garland.

Rufus começou sendo atração fixa em Montreal, onde tocava toda a semana no “Café Sarajevo”; gravou algumas fitas “demo” que foram parar nas mãos de um executivo da “Dreamworks” . E assim, em 1996 se mudou para Nova York e fica tocando no café “Fez”, para ir angariando público e no final do mesmo ano, grava seu primeiro disco, que teve uma aceitação bastante boa.

A “Rolling Stone” considerou o disco como um dos melhores do ano além de ter dado a Rufus o título de “o melhor novo artista do ano”.

Sai em turnês com Sean Lennon, Tori Amos e Sting, entre suas próprias turnês-solo.

Em 2000 Rufus se viciou severamente em metanfetamina, e ficou parcialmente cego em conseqüência do abuso da droga.

Percebendo que precisava de alguém que lhe apontasse uma direção e lhe desse uma orientação de vida, ligou para seu amigo Elton John, que o aconselhou a entrar no Centro de Reabilitação “Hazelda Foudation”, em Minnesota, para desintoxicação e terapia.

Em maio deste ano de 2008, esteve no Brasil, fazendo uma turnê por 4 capitais : Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Para sua estada brasileira, Rufus preparou uma apresentação, teatral, mas bastante intimista, pois ele canta acompanhando-se de guitarra ou tocando piano, seus dois instrumentos prediletos para apresentações em público. Junto com ele, sua mãe Kate e sua irmã Martha.

Até agora Rufus tem 5 cd’s gravados, vários “singles” e diversas músicas especialmente para trilhas sonoras de filmes como “D - Lovely”, sobre a vida e obra do compositor americano Cole Porter, onde ele e os outros membros da sua família cantam algumas músicas.

Artista na melhor tradição barroca – em todas as acepções da palavra – seus discos têm arranjos orquestrais complexos, muito bem elaborados, propositadamente com atmosfera dramática e intensa e seus temas via de regra são amores não correspondidos, relações desoladas e muita ironia alinhavando os comportamentos humanos.

Tudo isso, tratado com uma rara erudição no mundo pop atual... Seu disco mais recente chama-se “Rufus! ,Rufus!, Rufus!, Does Judy!, Judy!, Judy!”, onde obviamente ele presta uma homenagem a uma de suas divas preferidas, Judy Garland, e curiosamente interpreta o repertório que Judy apresentou no seu famoso e lendário show do “Carnegie Hall”, no início dos anos ’60.

Fã incondicional de Mozart, Verdi e Wagner, este “enfant terrible” que quando criança gostava de se fantasiar de Dolly Parton para o Dia das Bruxas, no momento está se dedicando com afinco a seu projeto mais ousado, escrevendo e compondo uma ópera, chamada “PRIMA DONNA”, que será encenada no “Metropolitan of New York”.

[@] Veja e ouça Rufus clicando aqui ! []


domingo, 6 de julho de 2008

[] O Que Terá Acontecido a "Baby Yvonne Marie" ?

De vez em quando é muito bom voltar algumas décadas atrás e reviver a atmosfera daqueles tempos... “Reviver” é uma maneira de falar, pois não é preciso ter “vivido” antes, para gostar e se deixar levar pelas cores, pelas melodias, perfumes e sabores de uma época distante.

Eu gosto particularmente dos anos ’40 e ’50, das roupas, das músicas, das big bands, das casas de bairros tranqüilos de filminhos de tv , das torradeiras naquelas cozinhas amplas com cortinas nas janelas...

Principalmente no campo musical, esta época foi pródiga em personagens típicos, cantores, atores, músicos e dançarinos; foram tantas as orquestras, tantos salões de bailes com música ao vivo, tocando em clubes e salões com largas cortinas de veludo ao lado de enormes vasilhas com ponches e garçons impecáveis...

Connie Haines é uma personagem desta época, nascida em Savannah, na Geórgia e batizada com o nome de Yvonne Marie Antoinette Ja Mais em 1922.

Filha de uma professora de canto e dança, Connie logo cedo demonstrou que era uma menina prodígio, daquelas que o cinema tantas vezes nos apresentou.

Antes de completar 10 anos, já cantava no rádio, num programa da NBC, com o nome de “Baby Yvonne Marie – The Little Princess of The Air”.

Cantou com a orquestra de Paul Whiteman e em 1934 vence um concurso de talentos promovido pelo popular programa “The Fred Allen Show”.

O primeiro contrato de Connie com uma big band foi aos 16 anos, com a orquestra de Harry James, e em sua primeira turnê com a orquestra, ela teve ao lado seu coleguinha e futuro superstar Frank Sinatra.

Mas, devido a problemas financeiros, Harry James teve de despedir tanto Connie Haines como Frank Sinatra. Porém em 1940, Connie, Sinatra e The Pied Pipers tornaram a orquestra de Tommy Dorsey uma das mais populares e requisitadas da época.

E com Tommy Dorsey, gravaram vários sucessos que rapidinho foram para as paradas, como “Two Dream Met”, “Oh, Look at me Now”, “Kiss the Boys Goodbye” e “What is This Thing Called Love?”.

Depois de abandonar a orquestra de Tommy Dorsey, Connie iniciou uma muito bem sucedida carreira solo, gravando um grande número de discos para gravadoras como “Capitol”, “Mercury”, “Columbia” e “Dot” durante várias décadas, e continuou se apresentando em público até metade da década de 1990, quando abandonou a carreira para levar uma vida tranqüila e retirada, nos arredores de Los Angeles.

Recentemente alguns discos dela foram relançados, como o “CONNIE HAINES SINGS A TRIBUTE TO HELEN MORGAN” [cantora e atriz cult que morreu em 1941 aos 41 anos de idade], gravado em 1957, e tem vários standards que ficaram famosos, como por exemplo:

Why was I Born // They didn’t believe me // Yesterdays // Broken Hearted // Make believe // Mean to me // Can’t help love dat man // Don’t ever leave me // More than you know // The way you look tonight // Why do I love you // Bill.

Foi lançada uma compilação de gravações de Connie feitas no período de 1947 a 1953, NIGHTINGALE OF SAVANNAH, que traz sucessos eternos como:

You made me love you // Stormy weather // My man // Lover man // The man I love // Destination moon.

Em SINGIN’ ‘N SWINGIN’, ela é acompanhada pela orquestra de Tommy Dorsey e tem preciosidades do repertório americano:

You can depend on me // Georgia on my mind // Will still be mine // There’ll be some change made // What is this thing called love?


@ este post é dedicado a todos os cantores e vocalistas anônimos de orquestras, em qualquer parte do mundo, que com o nome de “crooner” alegraram as noites de tanta gente, enfeitaram o romance de tantos casais de apaixonados ou simplemente, com suas vozes, fizeram companhia a todos aqueles que amam a música ... @


quinta-feira, 3 de julho de 2008

[] Jeremy Davenport [1970]

Com apenas cinco discos gravados, e mais de dez anos de carreira, este cantor e trompetista, nascido em St.Louis, Missouri, já tem seu lugar assegurado solidamente entre aqueles que gostam do seu tipo de música.

Filho de uma família musical, seu pai tocava trombone na Orquestra Sinfônica de Saint Louis, o que facilitou o contato do garoto Jeremy com partituras, ensaios, solos, ritmo e todas as cores alegres e triste de sua cidade natal, conhecida no mundo inteiro pela tradição musical.

Jeremy já tocava muito bem o seu trompete quando conheceu Winton Marsalis, na época de colégio; e o resultado deste encontro foi Jeremy ter ido estudar com o pai de Winton, o grande Ellis Marsalis, e ficado sob a tutela musical de pai e filho, em New Orleans...

Nada mal para o currículo de qualquer músico em início de carreira, por mais talentoso que seja o novato, ter nomes como estes como mestres e conselheiros musicais...

Antes de ter sua carreira solo, Jeremy tocou por um bom tempo com a banda do pianista e cantor Harry Connick, Jr., excursionando com ele por mais de cinco anos.

É evidente a influência que este período com Harry teve na carreira de Jeremy, o que também está longe de ser algo desabonador... a partir deste período, Jeremy passou a cantar mais em suas apresentações e seus shows, pois possui uma voz pra lá de agradável, lembrando muitas vezes Chet Baker, Nat King Cole e o próprio Harry Connick Jr., além de ser um excelente instrumentista, reconhecido e respeitado por seus colegas músicos.

Após este período, volta para New Orleans e fica se apresentando no SNUG HARBOR, na época, o reduto da moda, da moçada elegante que gostava de jazz.

Foi lá que conheceu o “chef” Emeril Lagasse, que comandava um conceituado programa na TV, sobre gastronomia moderna e chic, e foi convencido a participar de algumas apresentações no programa.

Estas aparições , entre números musicais e algumas gracinhas abriram as portas para Jeremy, para outros programas de TV e novas apresentações em clubes noturnos e restaurantes de hotéis de luxo, como é o caso do Ritz Carlton de New Orleans, pertecente à famosa e tradicional rede de hotéis, fundada em 1927.

Jeremy também pode ser visto e ouvido no “Emeril Line” e no “Food Network”, onde faz apresentações constantes e sempre bem faladas pela crítica.


Envolvido com causas sociais e beneficentes, faz apresentações em Organizações sem fins lucrativos, como a “Jazz @ the Bistro”. Fez vários shows pelos Estados Unidos, arrecadando fundos em favor das vítimas do furacão “Katrina”.

É atração regular e fixa do “Ritz Carlton” de New Orleans, conquistando sempre novos fãs e admiradores, pelo seu talento, competência e simpatia.

Seus discos são:

@ Puttin’ on The Ritz = 1995
@ Maybe in a Dream = 1997
@ Christmas Gumbo = 2004
@ Jeremy Davenport = 2005
@ Live at The Bistro = 2005


Destes cd’s eu quero ressaltar o “Maybe in a Dream”, que tem standards consagrados e músicas de sua autoria:

01= A beautiful friendship
02= I thought about you
03= Maybe in a dream
04= Let’s leave [ com DIANA KRALL ]
05= Moonglow
06= What was happened ?
07= P.S. I love you
08= Spirit of St.Louis
09= You are the one
10= A second chance
11= They didn’t belive me

E seu mais recente cd, gravado ao vivo, “Live ao The Bistro”:

01= I got the right to sing the blues
02= Basin Street
03= I could write a book
04= The very thought of you
05= I’ve got a crush on you
06= Lover
07= Blue skies
08= All of me
09= St.Louis Blues

Se você ainda não conhece Jeremy Davenport, vale a pena sim, procurar algum disco seu pra ouvir, e se já conhece, continue escutando...



sábado, 28 de junho de 2008

[] Dominique Eade

Ela cresceu numa casa onde todos gostavam de música, com alguns instrumentos espalhados pela sala e muitos discos nas prateleiras e empilhados na eletrola...

Filha de um oficial das Forças Armadas e uma mãe suíça, Dominique passou boa parte da sua infância entre Estados Unidos e Europa, passando férias com a família de sua mãe e assim, desde cedo, conhecendo a música de outros países.

Quando pequena começou a estudar piano seriamente pensando em fazer carreira como pianista, mas foi só entrar na adolescência, que seus planos mudaram e assim, decidiu que queria ser cantora... e como quase todos os adolescentes daquela época, Dominique deu um jeito de ter uma guitarra, infernizou a vida de todo mundo ao mesmo tempo em que aprendia com dedicação e afinco, músicas folclóricas, pop, e [claro], jazz...

Levava tão a sério esta atividade musical que desde 1984 dá aulas na NEC, New England Conservatory, de canto, composição e improviso vocal. É uma professora muito requisitada e bem sucedida, tendo seus alunos sempre bem colocados em competições musicais.

Dominique tem também como aluna, a brasileira Luciana de Souza, que mora nos Estados Unidos já há um tempão, onde é considerada uma cantora cult, de bom gosto, sem usar as fórmulas fáceis de escolher seu repertório e carreira.

Gravou seu primeiro cd em 1990, quando vai morar em Nova York, e faz aquele caminho mais ou menos comum a todos os iniciantes, ou seja, apresentações nos locais noturnos, bons restaurantes, happy-hours em hotéis elegantes, cassinos e qualquer palco disponível...

Resolveu se casar e ter filhos e assim, volta para Boston em 1996, onde é contratada pela RCA Victor para gravar mais alguns cd’s.

Com dois filhos pequenos, Dominique excursiona
pelos Estados Unidos e Europa, divulgando seus trabalhos recentes, o que deu um grande impulso em sua carreira, tornando-se conhecida da crítica internacional, que sempre elogiou suas apresentações e seus discos, pela cuidadosa produção, pela sua bonita voz, seu talento e seu bom gosto na escolha das músicas.

Atualmente,vive nos arredores de Boston, ao lado do marido, o saxofonista Allan Chase e dos dois filhos do casal.

Ela tem 4 cd’s lançados:




@ Long Way Home
@ When the Wind is Cool
@ My Resistence is Law
@ Open [com o pianista Jed Wilson, 2006]


terça-feira, 24 de junho de 2008

[] Jeffery Smith

A não ser que tenha nascido e vivido na cidade, não é tão comum assim um artista ter seu disco de estréia gravado em Paris. E mais, muito bem produzido e acompanhado por gente como Shirley Horn e seu “The Shirley Horn Trio”... Não é para qualquer um mesmo.

Pois foi isto o que aconteceu em 1995, com Jeffery Smith, cantor americano, que estava de férias em Paris pensando em passar apenas um mês, e acabou ficando sete anos...

Nascido e criado no Queens, em Nova York, muito cedo mesmo demonstrou um grande talento para o canto e para o teatro, recebeu forte incentivo da mãe, que era uma conceituada cantora lírica, chamada Ramona. Não foi à toa que o primeiro disco de Jeffery foi batizado simplesmente de “Ramona”...

Quando Jeffery completou 18 anos, foi para Los Angeles
e começou a cantar e representar por mais de 10 anos. Depois volta para Nova York onde inicia a cantar nos melhores clubes noturnos da cidade, ao mesmo tempo em que atua em produções teatrais.

No outono de 1991, vai para Paris para passar umas férias comuns, sem planos de permanência nem nada; mas aí, o destino põe em seu caminho o pianista e maestro Claude Bolling, que conhece Jeffery e imediatamente o seduz com um contrato para ser a voz masculina de sua banda.

Em 1995 grava seu primeiro disco, que foi produzido e acompanhado por Shirley Horn. Nos anos seguintes ficou excursionando com Claude Bolling e sua orquestra fazendo shows por diversos países, consolidando assim sua carreira européia.

Sua estréia americana se dá em 1998 com o lançamento nos Estados Unidos de seu segundo cd europeu, “A Little Sweeter”, que foi saudado e aclamado como “o melhor álbum vocal do ano”.

Em 1999, ele mesmo produz seu terceiro cd, intitulado “Down Here Below”, que tem como convidados, dois nomes conhecidos mundialmente, a cantora Dianne Reeves e a violinista Regina Carter.

Lá por 2001 faz dois concertos em homenagem a Louis Armstrong, no New York’s Lincoln Center, ao lado de Winton Marsalis e The Licoln Center Orchestra.

Atualmente, Jeffery continua se apresentando pelo mundo, enquanto dirige sua própria companhia produtora sem fins lucrativos, para a difusão da música, chamada “Tri-Loxodonta, Inc.”,promovendo apresentações de jazz ao lado de ilustres convidados.

Infelizmente, Jeffery Smith é mais um artista que não tem disco lançado no Brasil, e o que se conhece dele é através de cd’s importados da Europa e Estados Unidos... Mas vale a pena conhecer Jeffery e sua voz possante e melodiosa, grave e com uma dramaticidade pouco comum no jazz.


quinta-feira, 19 de junho de 2008

[] Paula West, Cabaré Chic

Dona de um belo timbre de contralto, esta americana nascida em San Diego, Califórnia não teve uma infância cercada por discos de cantores e bandas de jazz como boa parte dos grandes vocalistas que se referem a seu passado.

Como ela mesmo conta, na sua casa nem tinha muitos discos de jazz, pois o que seu pai realmente gostava era música clássica. Paula West só foi se interessar por cantores e grupos de jazz quando já estava na faculdade.

E não parou mais; a paixão explodiu e a curiosidade de conhecer mais e mais intérpretes vocais e instrumentais tomou conta dela...Hoje em dia ela diz que tem até uma frustração por nunca ter cantado na igreja quando era pequena... Diz que gostaria de ter tido uma infância predestinada, como a maioria dos grandes cantores.

Descobriu que tinha uma bela voz, um timbre pouco comum, e com o estímulo de amigos, colegas e professores, lançou-se ao mundo da música e do canto.

Em 1988 vai para San Francisco tentar a sorte como cantora e durante alguns anos trabalha como garçonete em bares e restaurantes elegantes até que sua carreira se solidifique.

Durante esta época, começa a participar pequenas apresentações de jazz em pequenas casas noturnas
e conhece Ken Muir, músico que se transformou em seu amigo e pianista por um longo tempo.

Enquanto ingressa no circuito de happy hours nos hotéis e apresentações em “cafés concertos”, Paula continua estudando canto seriamente, e foi desenvolvendo um estilo próprio e refinado de se apresentar, pois além de tudo é dona de um grande carisma no palco, por menor que ele seja.

Voz rouca de contralto, com um vibrato dramático, elegante em cena e de quebra, muito bonita
. Além disso, sempre focou sua produção artística na qualidade; tanto é assim que sua discografia é pequena, apenas 03 cd’s. O primeiro em 1997, produzido por ela própria, e o mais recente em 2001.

Nos anos 90, começa a cantar permanentemente no Ritz Carlton e atualmente apresenta-se nos clubes noturnos de San Francisco e Nova York, entre algumas excursões pela Europa.

Já faz 10 anos que Paula é atração fixa durante um mês inteiro por ano no “Empire Plush Room”, do “York Hotel”, em San Francisco. Também faz parte das atrações de gala do “Oak Room”, do “Algonquin Hotel” em Nova York.

No seu primeiro cd, TEMPTATION, Paula canta clássicos como “Don’t Explain”, que foi eternizada por Billie Holiday. Canta “Skylark”, standard obrigatório para quem deseja conhecer as composições de Johnny Mercer. Tem ainda “Nice and Easy” e “A Kiss to Build a Dream on”.

RESTLESS é o nome de seu segundo cd, e quero destacar a interpretação de “Who Will Buy” do musical da Broadway “Oliver”, já gravado por Nancy Sinatra décadas atrás...
De Cole Porter, Paula canta a conhecida “Don’t Fence me In”. Outro sucesso na voz de Billie Holiday foi “I’m a Fool to Want You”, que tem Frank Sinatra como um dos compositores, e mais ainda, belas interpretações de clássicos como “Fly me To the Moon”, que o mundo inteiro já gravou e continua uma belíssima música, e “Witchcraft”, imortalizada por Sinatra.

Por enquanto, seu mais recente disco é COME WHAT MAY, que tem a fusão de dois clássicos de Duke Ellington, “Caravan / Night In Tunísia”, tem o cartão de visitas de Bylly Strayhorn, “Lush Life” e dois standards indispensáveis de Johnny Mercer, “Blues In The Night” e “I Remember You”.


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