No final dos anos ’50 e durante toda a década de ’60, existiam dois grandes ídolos jovens americanos : De um lado, Elvis Presley, com todo o ar de renovação e rebeldia que era proposto na maneira de cantar, de vestir e na simples atitude do dia a dia.
De outro, um modelo de bom moço que os americanos adoram até hoje. Cara de bom rapaz, bom filho, bom irmão, bom aluno, bom vizinho e bom tudo. Em outras palavras, quase um chato. O equivalente da época aos politicamente corretos em excesso dos dias de hoje, o “bonzinho – vaselina”.
Sempre em cima do muro, querendo agradar todo mundo, e fingindo virtudes que na maioria das vezes, nem têm e mal conhecem o significado dos adjetivos pelos livros...

Se Elvis revolucionou a maneira de se dar ao público, e veio ao encontro de novas necessidades juvenis, precisadas de um sangue novo, e de uma rebeldia mais atualizada, Pat Boone perpetuou o clichê americano, solidificando cada vez mais a imagem do moço de cara limpa, vestido com apuro, barba sempre bem feita, cabelos penteados e um boletim escolar impecável.
Cada um com sua contribuição musical e comportamental. Graças à Deus sempre houve público para tudo.
Nasceu Charles Eugene Patrick Boone em 01/06/34 em Jacksonville, Florida, e garante ser um descendente direto do famoso pioneiro americano Daniel Boone, personagem bastante popular de uma série de TV durante os anos ’60.

Graduado “Magna Cum Lauda” em 1958 pela Universidade de Columbia.
Quando Pat Boone gravou seu primeiro disco, em 1954, ele já era casado, mas a imprensa e os meios de comunicação da época não faziam muito alarde deste detalhe pessoal, pois comercialmente, era muito mais interessante que ele continuasse sendo um personagem bom partido e que povoasse os sonhos e desejos das mocinhas virgens, casadoiras virtuosas que sonhavam com uma casinha ajardinada e cercas brancas, num subúrbio tranqüilo, perdido em qualquer lugar do território americano. De preferência que fossem exímias fazedoras de geléia de amoras.
Alguma coisa parecida aconteceu também com Brenda Lee, que mal completou 18 anos e se caso
u com seu namoradinho de adolescência....e muita gente não sabe que ela já é avó de dois netos e mãe de duas filhas de mais de 40 anos e que os tempos de garotinha cantando “Jambalaya” já vão longe...
No final dos anos ’50, Pat vivia com a família numa modesta casa em New Jersey, apesar de faturar anualmente [em valores da época], 750 mil dólares.
Tinha como marca registrada, um par de tênis sempre branco que usava para compor seu visual bem educado, com suéteres de decote “V”, camisas listradas e um ar de quem só se alimentava de iogurte com sucrilhos.
Seu primeiro filme, em 1957, foi “April Love”, ao lado deShirley Jones e deu ao mundo inteiro uma canção de mesmo nome, que ficou em primeiro lugar nas paradas de sucesso por quase 2 meses. 
Até hoje as boas emissoras de FM, ainda executam “Love Letters in the Sand”, “Friendly Persuation”, “Moody River” e Bernardine. Romântico, sem “babação” e uma bela voz associada a um carisma natural, foi o ídolo do americano conservador padrão.
Pat foi criado na igreja “Chuch of Christ”, que é o nome original da “Primeira Igreja dos Santos dos Últimos Dias”, ou “Igreja Mórmon”, à escolha do freguês, denominação fundada em 1830 por Joseph Smith. Mas nos final dos anos ’60, Pat e família mudam de igreja e tornam-se pentencostais.
Por conta de seus princípios religiosos, recusava músicas e filmes que não estivessem de acordo com as normas da igrej
a, ou que pudessem arranhar a imagem de rapaz puro e de boa família.
Este comportamento causava um certo mal estar nos estúdios musicais e cinematográficos, pois volta e meia criava atritos com produtores e colegas.
Uma vez, Pat se recusou a aceitar um papel para atuar ao lado do então sonho escondido da maioria dos americanos: a louríssima Marilyn Monroe...
Quando filmou “April Love”, não quis beijar a atriz Shirley Jones como o roteiro pedia, pois tanto ele como ela, eram casad
os na vida real com seus respectivos cônjuges, e na cabeça dele, isto não ficava bem.
Este comportamento “sabonete” foi contestado pela “Hustler Magazine”, na sua edição de janeiro de 1984, quando afirma ser absolutamente verdadeira uma foto em nu frontal de Pat mais jovem , posando para um “sex-card”... Não se tem notícia de nenhuma ação do artista contra a revista.
Pat teve programas na televisão e no final dos ’60 começa a escrever livros de auto ajuda dirigidos aos adolescentes. Quando ele casou, em 1953, tinha apenas 19 anos.
A mulher era Shirley Lee Foley, filha de uma lenda da
música country, Red Foley.
Desde o final dos anos ’50 e durante a década seguinte, Pat foi “garoto propaganda” da Chevrolet, substituindo a atriz e cantora Dinah Shore, patrimônio americano.
Dizia slogans como “Veja os Estados Unidos de dentro de seu Chevrolet” ou “Dirija seu Chevrolet através dos Estados Unidos e descubra a maior nação de todas as Américas”.
Tiveram 4 f
ilhas, entre elas, Debby Boone, que também é cantora e nora da grande Rosemary Clooney...
Em ’97, Pat Boone dá uma derrapada na sua carreira e arranhou sua imagem de uma forma ridícula, totalmente desnecessária e quase bizarra. Lançou um infeliz cd com o título “In a Metal Mood- No More Mr. Nice Guy” que em português seria qualquer coisa como “Num Clima Metaleiro-Não Mais Sr .Bom Moço”, numa alusão evidente a uma virada que pretendia dar.
O disco era todo de música de "metaleiro", e para divulgar este infeliz lançamento, comparecia aos lugares, vestido com um colete de couro sem camisa por baixo, óculos escuros e uma atitude “metálica”, querendo mostrar uma juventude que evidentemente não existia há muito...
Só que nest
a época, ele já estava com quase 65 anos e quando compareceu com esse visual ao “American Music Awards”, decepcionou fãs e admiradores mais conservadores.
Foi excluído do “Gospel América”, programa de música religiosa transmitido pela “Trinity Broadcasting Network”. Um ano depois deste lamentável episódio, os ânimos de patrocinadores e dirigentes televisivos já estavam mais aquietados e Pat foi readmitido.
Volta às suas raízes religiosas e em 2003 a “Gospel Music Association” de Nashville reconhece seu trabalho disco
gráfico gospel e o introduz no almejado “Gospel Music Hall of Fame”.
Novas polêmicas em 2006, quando escreve um artigo para o “World Net Daily” dizendo que tanto os Democratas quanto todos aqueles que fossem contra a Guerra do Iraque, não poderiam ser considerados verdadeiramente patriotas...
Foi entrevistado para a “Fox News”, onde expressou sua total desaprovação a todos aqueles que fossem contra George W.Bush.
Atualmente Pat continua com suas atividades de dirigente de clubes de basquete, outra grande paixão sua, dá palestras de caráter motivacional pelo país e é comentarista político na televisão.

E como se não bastasse, em 2007 escreve um artigo dizendo que achava a teoria da Evolução da Espécie um verdadeiro absurdo, completamente sem sentido e responsável por uma falsa religião...
Não satisfeito, continuou delirando e escreveu um artigo no formato de conto de fadas onde conta que um Príncipe Encantado foi seduzido por um anão, contrai AIDS e morre de overdose.
Que tal ?
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O post anterior foi dedicado a Emilinha Borba. Mas como falar em Emilinha, sem falar em Marlene? Estes dois nomes andam juntos há mais de meio século, o que não é pouco...
Apesar de toda a rivalidade artística, incentivada pela imprensa e saboreada pelos fãs de ambas, eram amigas na vida real, fora dos palcos e dos estúdios.
Quando Emilinha morreu, em 2005, Marlene passou a noite inteira debruçada sobre o caixão da amiga, chorando e consternada com a morte repentina daquela estrela de décadas e décadas da época de ouro do nosso rádio.
Marlene é paulistana e nasceu aqui pertinho de casa, no bairro de Bela Vista, assim como o Bixiga, conhecido reduto de famílias ítalo-brasileiras.

Não chegou a conhecer seu pai, que morreu exatamente sete dias após seu nascimento, em 22/11/24. Recebeu o nome de Victória Bonaiutti de Martino e foi a caçula de três irmãs.
Sua mãe não casou novamente e como a família vivia com o orçamento apertado, foi procurar um bom colégio para Victória, para que a menina tivesse uma educação formal descente e se preparasse para um futuro que não parecia acenar com nada de tão promissor assim.

Como freqüentava assiduamente a Igreja Batista, conseguiu internar Victória no “Colégio Batista de São Paulo”, pagando apenas uma pequena taxa onde a menina ficou dos 4 aos 15 anos.
Sua mãe ganhava a vida como costureira e ainda achava tempo para trabalhar como alfabetizadora voluntária no Instituto de Surdos Mudos de São Paulo.
Em troca do internato, Victória ajudava o Colégio nas tarefas do dia a dia, como arrumar as camas, recolher a louça e levar para a cozinha e limpar o quadro negro com apagador depois das aulas.
Era uma alu
na de rendimento satisfatório, mas onde se destacava mesmo era no esporte, em diversas modalidades. Tanto é, que era sempre ela a representar o Colégio Batista nos campeonatos entre os colégios.
Desde cedo, demonstrava um temperamento inquieto e se comportava de maneira exuberante.
Depois destes anos todos de internato, decidiu que iria ser contadora e para isso, matriculou-se na “Faculdade do Comércio” que ficava ali na Praça da Sé, bem no centro de São Paulo, e durante o dia, trabalhava num escritório comercial também pertinho, na Rua Direita.

Meteu-se na Associações de Alunos, organizava debates culturais e artísticos e juntamente com mais alguns amigos e colegas conseguiram um espaço na Radio Bandeirantes, no programa “A Hora do Estudante”.
Foi lá que deixou de ser Victória e tornou-se Marlene, em confessa homenagem a Marlene Dietrich, diva alemã, que estava em pleno apogeu no imaginário de toda e qualquer garota que sonhava com vida artística.
Exercia suas atividades de cantora sempre às escondidas, pois sua mãe não permitiria nem em sonhos que alguma de suas filhas descambasse pelos caminhos da arte...

Começou a faltar às aulas, sua mãe descobriu, fez o maior escândalo, botou Marlene de castigo, mas claro que não adiantou, pois em 1940 ela estréia profissionalmente na Rádio Tupi, também de São Paulo.
Pouco depois, decidida a se tornar uma “artista”, muda-se para o Rio de Janeiro em 1943, sob os protesto familiares e fatalmente vai parar no Cassino da Urca, Rádio Globo, Rádio Mayrink Veiga e Cassino Icaraí, de Niterói.

Faz também uma longa temporada como crooner do Golden Room do Hotel Copacabana Palace. Marlene agradou tanto, que depois de pouco tempo acabou se tornando a estrela principal de lá. Sempre elogiada pela crítica e pelos freqüentadores.
Gravou seu primeiro disco em 1946, que era para a Odeon acompanhada pelo conjunto “Brazilian Serenaders”, e neste mesmo ano começa a gravar músicas para o carnaval, com
acompanhamentos dos “Vocalistas Tropicais”.
Ano seguinte faz uma bem sucedida temporada na boate “Casablanca”, tendo o grande pianista Bené Nunes como músico. Neste mesmo ano, seria a primeira cantora a gravar para o recém criado selo “Star”, que seria a futura gravadora “Copacabana”...
Quando foi contratada pela Rádio Nacional, sua carreira deslanchou, pois além de estar na emissora que era sonho dourado de qualquer artista, coube a ela estreiar no “Programa César de Alencar”, quando então recebe dele o slogan que ficou famoso: “Ela, que canta e samba diferente...!!”
1949 foi um
ano importante para Marlene, pois além de gravar um dueto com Emilinha Borba, acompanhadas pela “Orquestra Tabajara”, de quebra ainda é eleita a Rainha do Rádio, concurso que era promovido pela Associação Brasileira de Rádio.
Com o prestígio do título, ganha um programa só seu na Rádio Nacional, de nome “Duas Majestades”.
Neste ano, gravou um baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que ficou famoso: “Qui Nem Jiló”, assim mesmo com q,u,i. Esta gravação teve o acompanhamento do maestro Severino Araújo e da “Orquestra Tabajara”.
A disputa entre ela e Emilinha está acirrada.
..Marlene torna-se cantora exclusiva do programa de Manuel Barcelos, enquanto Emilinha era exclusividade do programa de César de Alencar.
Nesta época, Marlene além de cantora, começa a atuar também como atriz, alternando-se entre revistas musicais e peças teatrais de maior complexidade dramática.

Em 1952 grava “Lata D’Água”, música até hoje associada a seu nome.
Estréia no Teatro de Comédia, ao lado de Wanda Lacerda e Maurício Shermann.
É neste ano que recebe o título de “A Favorita da Aeronáutica”, dado pela FAB e entregue pessoalmente pelo Brigadeiro Eduardo Gomes.
Em 1959
, no LP “Explosiva”, grava Brigas Nunca Mais, de Tom Jobim e Vinícius de Morais... como dá para ver, Marlene era uma artista que lançava moda, e estava atenta ao que se passava em sua volta.
Neste ano, recebe um convite de Edith Piaf, que após assistir algumas apresentações de Marlene, quer levá-la para o Olympia de Paris. E assim, Marlene se torna a primeira cantora brasileira a se apresentar no Olympia...
Recebe ainda neste ano, o título de “Cidadã Carioca” que lhe foi dado pela Câmara Municipal do Distrito Federal.

Em 1965 recebe o troféu “IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro” e quatro anos depois, o “Troféu Camem Miranda”, que premia os melhores intérpretes de músicas para o Carnaval...
Em 1970, na peça “Alice no País Divino Maravilhoso”, Marlene trabalha ao lado de Ary Fontoura, Milton Gonçalves e Hildegard Angel.
Já em ’79 e ’80, dedica-se a viajar pelo Brasil com a “Ópera do Malandro”, espetáculo musical de Chico Buarque de Hollanda.
Desde o final dos anos ’90, que Marlene participa todos os anos dos shows de fim de ano nas areias
de Copacabana, além do famoso Carnaval na Cinelândia.
Em 2005 fez uma angioplastia e colocou 3 “stents”, mecanismos que dilatam as artérias obstruídas por placas de colesterol, no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro, onde foi parar após severa crise hipertensiva.
Por uma estranha coincidência, o show mais recente de Marlene, foi no Carnaval de 2005, quando dividiu o palco com sua “eterna” rival e amiga até a morte, Emilinha Borba.
Foi cantando uma música de Noel Rosa, “O X do Problema”, num programa de calouros de Ary Barroso, que Emília Savana da Silva Borba conseguiu a nota máxima, sendo imediatamente contratada pela Rádio Mayrink Veiga. Ela tinha apenas 14 anos.
Nascida em 31/08/1923 à rua Visconde de Niterói, no Bairro da Estação Primeira de Mangueira, tinha seis irmãos, entre eles, seu irmão gêmeo José.
Em 1939, foi apresentada e recomendada por Carmem Miranda, de quem sua mãe Edith era camareira, ao empresário Joaquim Rolas, que era proprietário do Cassino da Urca, e finalmente foi contratada como “crooner”.
Como Emilinha era menor de idade, Carmem emprestou para ela um vestido mais “adulto e um par de sapatos de plataforma, para facilitar alterar a certidão de nascimento
e assim, poder trabalhar no Cassino.
Neste mesmo ano de ’39, grava a marcha “Pirulito”, de autoria de João de Barro, em dupla com Nilton Paz. No selo do disco ainda era “Emília Borba”. O diminutivo viria depois...
Esta marchinha faz com que eu lembre de meu pai cantarolando pela casa “Pirulito que bate, bate, pirulito que já bateu...quem gosta de mim é ela e quem gosta dela sou eu...”.
Em 1942, Emilinha mudou de emissora; sai da Mayrink Veiga e vai para Rádio Nacional, onde permanece por 27 anos, abrangendo assim a chamada época de ouro dos pro
gramas de rádio no Brasil, com toda a magia destas décadas, e onde se formava e se solidificava nossa história musical, virando assim uma fonte de referência para as gerações que viriam depois.
É bom lembrar que este período foi muito fértil para nosso acervo musical, tanto no que se refere a vocalistas, como às nossas grandes orquestras, nossos arranjadores, instrumentistas de primeiríssima qualidade e competência.
Além disso, o rádio como ferramenta de comunicação tinha uma força enorme, atingindo o país inteiro, informando as pessoas, entretendo com novelas, programas de humor, programas de auditório, consultas sentimentais e conselhos de saúde e bem estar.
Durante sua permanência na Rádio Nacional, Emilinha Borba foi campeã absoluta de correspondência recebida por artistas, durante 19 anos consecutivos, período em que esta estatística era feita.

Possivelmente, esta popularidade absurda, estivesse associada ao “Programa César de Alencar”, que era um clássico do rádio, e era transmitido para todo o país aos sábados à tarde.
Aqui no Brasil, a época do rádio foi responsável pela criação de um certo e eficaz marketing, como por exemplo a conhecida rivalidade entre Emilinha Borba e sua colega Marlene. Durante anos a fio, o público radiofônico, tanto o que ia aos auditór
ios como o que ficava em casa, dividia-se entre 2 fãs clubes: “Emilinha” e “Marlene”, com uma acirrada rivalidade, tapas, bofetões, roupas rasgadas, vaias, papéis picados e todas as manifestações pró seu ídolo.
É claro que com este comportamento, a emissora saia ganhando e os artistas também, pois havia uma disputa nas lojas de disco, para ver qual o artista que vendia mais os famosos 78 RPM...
Emilinha lançou músicas que até hoje estão na memória de pelo menos 3 gerações...em ’46 ela gravou “Madureira” [Madureira chorou, Madureira chorou de dor...]. 
Ano seguinte, 1947, gravou a famosa rumba “Escandalosa”, e um clássico de nossa música romântica até hoje: “Se Queres Saber”, muito nosso conhecido através de primorosas interpretações como as de Tito Madi e Nana Caymmi [Se queres saber se eu te amo ainda, procure entender a minha mágoa infinda...]
Em ’49 gravo
u um “hino” de nosso carnaval, a composição de João de Barro “Chiquita Bacana”... quem não sabe cantar um pedacinho? [Chiquita Bacana, lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica...]
Emilinha foi pioneira em várias coisas relativas à sua carreira, mas vale destacar que em 1955, quando estava em excursão pelo sul do país, mais precisamente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, cantou por telefone diretamente
dos estúdios da Rádio Gaúcha, enquanto o acompanhamento era feito pela orquestra do maestro Ercoli Vareto, que estava na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro...
Toda esta manobra, era para não perder a participação no programa “César de Alencar”, que estava promovendo o concurso “Parada dos Maiorais = Pastilhas Valda”. A música que ela defendia, era um bolero chamado “Em Nome de Deus”.
Em 1957, outro enorme sucesso nacional gravado por ela, foi sem dúvida “Com Jeito Vai” [Vai, com jeito vai, senão um dia a casa cai, menina... se alguém te convidar pra tomar banho em Paquetá, pra pic-nic na Barra da Tijuca, ou pra fazer um programa no Joá....menina vai, com jeito vai]
Esta música
marcou tanto este final dos anos ’50 que acabou gerando o filme de mesmo nome, produzido pela Herbert Richers e dirigido por J.B.Tanko... Existe coisa mais anos ’50 que isso ?
Participou de quase 40 filmes, o que era também um veículo para lançamento de cantores, compositores, sobretudo para lançar músicas de carnaval, naquelas cenas tão conhecidas por nós, quando num local noturno de nome “Oásis” ou coisa parecida, durante um jantar elegante, um artista surge no palco entre confetes e serpentinas, cantando uma marchinha ou um samba...era uma estratégia ingênua, mas sempre dava resultados.
Outra coisa que Emilinha foi a primeira a fazer aqui no Brasil, foi em 1958 quando gravou o mambo “Catito”, sucesso mundial na voz de Nat King Cole... ela colocou a voz depois sobre a base musical, gravada previamente, pois até então er
a de praxe artista e acompanhamento gravarem ao mesmo tempo, na mesma seção de estúdio...
Também é creditado a ela o fato de ser o primeiro artista nacional a fazer uma turnê pelo Brasil inteiro, tendo apenas um único patrocinador. Tamanha era sua credibilidade e retorno garantido de investimento...
Durante a década de 60, participou de inúmeros programas fixos de televisão, semanalmente exibidos, apresentados por ela e por outro apresentador de sucesso; e isto acontecia no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Segundo críticos e jornalistas desta época, um dos maiores trunfos de Emilinha, era a sua simpatia e a facilidade de interpretação, pois sua voz apesar de clara, era considerada “pequena”, sem grandes arroubos e como tinha uma figura magnética no palco, acabava conquistando todo mundo.
Foi capa da “Revista do Rádio” por mais de 50 vezes, e se comunicava com seus fãs através de colunas como “Diário da Emilinha”, “Álbum da Emilinha”, “Emilinha Responde” e “Coluna da Emilinha”.
Os leitores encontravam estas colunas na “Revista do Rádio”, “Radiolândia” e no jornal “A Noite”.

Fez shows pelos Estados Unidos, Israel e Reino Unido e em 1965 é escolhida como a Rainha do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, ano que gravou outro sucesso cantado até hoje: “Mulata Iê-Iê-Iê” [mulata bossa nova, caiu no hully gully, e só dá ela...]
Em 1968, afastou-se de suas atividades por causa de graves problemas em suas cordas vocais, e mesmo depois de 3 cirurgias e longos meses de reeducação vocal, não conseguiu volta
r à velha forma.
Em 1991 recebe o título de Cidadã Benemérita do Rio de Janeiro e dois anos depois, é homenageada como “Cidadã Paulistana”.
Em 2003, depois de passar 22 anos sem gravar, lança um disco chamado “Emilinha Pinta e Borda”, onde tem colegas famosos como convidados.
De sua vida pessoal, sabe-se que no dia de seu aniversário em 1957, casou-se formalmente com Artur Sousa Costa, que era um corredor de automóveis, e filho do Ministro da Fazenda durante o governo de Getúlio Vargas.
Com ele teve seu único filho, Arthur Emílio.
Comemorou 50 anos de carreira em ‘90 com um desfile em carro aberto pela Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro.

Em 2005, sofreu uma queda em casa e teve traumatismo craniano e hemorragia intra-cerebral. Ficou hospitalizada alguns dias na CTI, e aos poucos foi se recuperando, mas com a saúde sempre muito frágil.
Até que em outubro do mesmo ano, sentiu-se mal durante um almoço em sua casa em Copacabana e teve um infarto, aos 82 anos. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Mas, para [pelo menos...] uma de nossa Forças Armadas , ela desde 1949 é, e será eternamente, “A Favorita da Marinha”.
E para o público radiofônico, Emilinha Borba detém o título de “A Eterna Rainha do Rádio”.
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Um elemento fundamental em um filme, além dos ingredientes óbvios como uma boa história, boa direção e interpretações impecáveis, é a trilha sonora, que alinhava e costura todo o filme, desde a abertura até os créditos finais.
É tão fundamental, que recebe “Oscar”, “Grammy”, “Globo de Ouro”, movimenta milhões de dólares, compositores, arranjadores, intérpretes e reuniões intermináveis da indústria fonográfica. O resultado é quase sempre de gosto discutível, mas isso já é outra história. Afinal, “music is business” também...
Seria ingênuo de nossa parte, imaginar que a escolha de uma trilha sonora se dá de maneira displicente como quem escolhe um par de meias para calçar pela manhã, após o banho...não, não, é uma ciranda de interesses multinacionais de criatividade versus política de gravadoras.
Uma trilha que o temp
o se encarregou de tornar clássica, foi o tema de James Bond, personagem fictício criado pelo escritor britânico Ian Fleming em 1953; no início, no formato de livro de bolso, depois vendidos os direitos para o cinema e mais tarde, games e assemelhados.
O personagem James Bond, foi inspirado num personagem da vida real, um iugoslavo (hoje um sérvio) de nome DUSKO POPOV [1912=1981], que era um agente duplo durante a II Guerra Mundial. Passava informações falsas para os nazistas e espionava em favor dos britânicos.
Ian Fleming fazia parte da Inteligência Naval Britânica quando conheceu pessoalmente Dusko, sempre elegante, de gostos refinados, apreciador de jogos, dotado de uma brilhante inteligência e astúcia e incapaz de resistir a belas mulheres.
O personagem de James Bond foi desenhado por Ian como sendo filho de pai escocês, mãe suíça e que fica órfão aos 11 anos de idade quando os pais morrem num acidente de car
ro, e mais tarde em Paris, aos 16 anos, tem sua primeira experiência sexual.
Esta é a origem do nosso agente. Apesar da primeira novela de James Bond ter se chamado “Cassino Royale”, em 1953, somente em 1962 tem início as aventuras na tela do agente “007” com o filme “Dr. No”, que também dá início a outra indústria paralela: as “Bond Girls”... aquelas mulheres quase sempre lindas, sedutoras, astutas e de origem nebulosa...
Todos os anos Ian Fleming ia para sua casa na Jamaica, chamada “Golden Eye”, para escrever uma nova história, até sua morte em 1964...
É difícil apontar um motivo único para o sucesso mundial de James Bond; o mais correto seria creditarmos este sucesso nas telas de mais de 40 anos à mistura do carisma de personagem e intérpretes, com os vilões refinados, as Bond Girls, sem falarmos nas armas e dispositivos letais, incluindo aí, lanchas, helicópteros, relógios, automóveis e simples objetos do dia a
dia, prosaicos mesmo, capazes de fazer tudo o que a imaginação alcançar.
E, claro, às músicas escolhidas como tema principal para os filmes... quem não lembra de Shirley Bassey, cantora inglesa, de fama mundial, quase aos gritos cantando “Goldfinger”, em 1964 e anos mais tarde, a mesma Shirley, dizendo que “Diamonds Are Forever”, de 1971?
Em 1963, um sucesso mundial foi o tema “From Russia With Love”, interpretado por Mat Monro, como trilha de “Moscou Contra 007”. Foram vendidas milhões de cópias desta música, que era obrigatória em qualquer seleção romântica de festinhas de estudantes ou bailes nos clubes noturnos...
O mesmo aconteceu em 1967 com Nancy Sinatra, quando gravou “You Only Live Twice” em 1967, para “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes”. Esta música acabou virando um clássico da discografia de Nancy, como uma referência obrigatória quando se fala em trilha sonora de filmes de James Bond.
Paul McCartney
em 1973 gravou “Live And Let it Die” e 4 anos depois, Carly Simon se tornou mais conhecida ainda e grande campeã de execução nas FM’s e de vendas, com “Nobody Does it Better”, música tema do episódio “The Spy Who Loved Me” [O Espião Que Me Amava].
Depois, em 1981, Sheena Easton correu o mundo e as rádios, cantando “For Your Eyes Only”, de “007, Somente Para Seus Olhos”...
E nesta esteira, tivemos também Tina Turner, Duran Duran, Garbage, Gladys Knight, Chris Cornell e Burt Bacharach com seu clássico “The Look Of Love”...
E agora, depois de um processo seletivo complicado e conflitante, já foi anunciado que o tema do mais recente episódio de James Bond, para este ano de 2008 ainda, “Quantum Of Solace”, por enquanto sem título em português, está a cargo de Alicia Keys e Jack White.
Por mais fraquin
ha que venha a ser a música, é uma ótima janela para divulgação, o fato de seu trabalho fazer parte de uma trilha sonora deste porte.
Na verdade com 22 filmes “oficiais” e apenas 03 “bastardos”, feitos à revelia dos detentores de direitos autorais, a “marca” James Bond já está associada definitivamente ao cinema.
Steven Spielberg não esconde que seu sonho há uns trinta anos atrás, era dirigir um episódio do agente 007... e como não conseguiu, resolveu criar um personagem de aventura e assim, nasce Indiana Jones, onde teve o prazer de dirigir Sean Connery em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, onde o ex-agente 007 faz o papel do jovem Indiana.
Ian Flem
ing, Sean Connery e Roger Moore, outro ator que viveu o personagem em sete filmes, foram todos agraciados com o título de “Sir”, pela Rainha Elizabeth II, fã ardorosa dos livros do famoso agente.
Apenas quatro contos de Ian Fleming ainda não foram transformados em filmes. São eles: “Risico”, “The Hildebrand Rarity”, “007 in New York” e “The Property of a Lady”.
E o agente na vida real Dusko Popov, inspirador de James, recebeu em novembro de 1947 a Medalha da Ordem do Mérito, numa cerimônia informal no Hotel Ritz de Londres.
Mas ainda há tempo para novos filmes, e novas trilhas sonoras.
[a segunda, terceira e quarta imagem, de cima para baixo, é a ilustração de James Bond nos tempos de Livro de Bolso...]